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Retiro XXIIICG - Reflexão Sobre a Vida Religiosa

em 14/09/2014 | 00h00min

Retiro XXIIICG - Reflexão Sobre a Vida ReligiosaA Vida Religiosa está colocada no centro das reflexões deste dia (14/09) de retiro. Dom Thomas Menamparampil continua suas meditações comparando os cenários da sociedade nos diversos contextos mundiais e o modo com que os consagrados e os cristãos podem oferecer sua contribuição pessoal.  Suas colocações iniciam citando o arcebispo José Rodriguez Carballo, secretário  da Congregação para a Vida Religiosa que, em uma de suas falas, indicava como motivações do abandono de muitos consagrados e consagradas, a ausência de vida espiritual, a perda do sentido de comunidade e de pertença à Igreja, problemas no campo da afetividade e sexualidade, algumas atitudes de incerteza, dúvida, insegurança, ambição. 

E então Dom Thomas se pergunta: «Se Jesus hoje nos olha nos olhos e nos ama, verá em nossa vida religiosa uma luz de alegria, ou uma nuvem de incerteza, de hesitação, de tibieza, ou até mesmo de falta de fé?  De alguma forma, uma fidelidade tíbia é mais dolorosa por causa de sua insignificância, do que o abandono total».

Muitas vezes quem deveria estar empenhado em obras de evangelização, esvazia a mensagem do Evangelho para alcançar um consenso imediato. «A maior tragédia não é que os jovens que escolhem a vida religiosa sejam poucos, mas que o altruísmo tenha desaparecido do coração humano; que sejam muito poucos a pensar em quantos estão marginalizados e excluídos. (...) Quando pensamos nos seus sofrimentos, no seu futuro incerto, o que é, em comparação, o pequeno peso da monotonia da nossa vida? Como podemos ter coragem de nos lamentar dos aborrecimentos da rotina, da natureza repetitiva do dever, do ordinário da vida, da humilhação de sermos ignorados, dos resultados lentos, dos pequenos desafios e contradições na comunidade?  O problema não é a falta de vocações, mas a falta de generosidade!  Uma carência de generosidade na sociedade, na Igreja, na vida religiosa,  em quantos fizeram promessas solenes de generosidade.  Não nos surpreende que haja um colapso na vida religiosa, não somente pela escassez numérica, mas pela qualidade do empenho».  

Dom Thomas continua sua reflexão dando três sugestões para reencontrar o frescor da generosidade. «A primeira é: fiquem perto da dor, da dor humana, física, psicológica, espiritual, da angústia social, da dor de uma comunidade, não para demonstrar a generosidade de vocês, mas para ser verdadeiramente de ajuda.  Compartilhem a agonia deles em toda a sua intensidade, respondam no melhor modo que lhes for possível, procurem compreender a maior agonia humana no contexto daquela dor; procurem adquirir uma compreensão mais profunda da natureza humana naquele contexto. Sintam a responsabilidade de responder de modo novo e criativo na esfera física, psicológica, social, cultural e espiritual e de maneira mística.   A segunda é algo de parecido: estejam perto dos pobres, de suas necessidades concretas, de suas ansiedades, de sua aproximação simples dos problemas em geral, de sua solidariedade e desprendimento, de sua fé.  São esses os nossos mestres, dizia Madre Teresa de Calcutá.  E a terceira é esta: estejam perto dos crentes comuns, ordinários. A profundidade de sua fé tem algo a nos ensinar. A sinceridade e seriedade deles é comunicativa».  «O religioso, o missionário – conclui Dom Thomas – pode sentir a dificuldade de oferecer compaixão e apoio a quem está na necessidade, mas oferece  tudo para unir-se ao sofrimento do outro.  A Vida Religiosa é uma vocação, não uma carreira.  O povo quer ver no religioso/religiosa a pessoa que compreende o significado da própria vocação: ser um sinal transparente, um exemplo de quem reza, de quem serve porque ama».

Na conclusão do dia as crianças da escola de Chieri ofereceram às Capitulares momentos maravilhosos com o Concerto de Bach, o Te Deum, a Ave Maris Stella, e outras obras primas da música.  A Madre, citando Bento XVI, assim se expressou: «Estou convencida de que a música seja a linguagem universal da beleza, capaz de unir entre si os homens de boa vontade sobre toda a terra, de levá-los a erguer os olhos para o alto e a abrir-se ao bem e ao belo absolutos, que têm sua origem no mesmo Deus».

Fonte: Redação